Rebocar moto puxando por corda atada ao carro é perigoso, pode render multa e não deve ser feito; as alternativas seguras são carretinha para moto, suporte apropriado no carro ou guincho de moto com plataforma. A moto é instável parada, e a corda deixa o piloto equilibrando um veículo sem motor, sem controle de freio coordenado com o carro e, muitas vezes, sem luz.
Por que a corda é arriscada
Quando a moto é puxada, o piloto precisa segurar o guidão, manter o equilíbrio e frear sozinho. Os problemas aparecem rápido:
- frenagem desencontrada: o carro freia, a corda afrouxa, a moto avança e pode bater na traseira do carro, ou a corda estica de repente e derruba o piloto;
- sem motor: a moto desligada fica pesada para equilibrar em baixa velocidade, e qualquer buraco desequilibra;
- curva e pista irregular: a corda puxa a moto para fora da trajetória;
- visibilidade: a moto, muitas vezes, está sem farol e sem lanterna funcionando, e o motorista do carro não vê o que acontece atrás;
- corda se solta ou arrebenta: o atrito, o nó e a tensão limitam o que a corda aguenta.
Rebocar outro veículo com corda ou cabo flexível fora de emergência é infração média pelo Código de Trânsito (art. 236), e isso vale para puxar a moto com o carro. Se for uma moto puxando outro veículo, a infração é grave.
Moto empurrada com o pé de outro motociclista
Existe outro improviso comum: um motociclista empurra a moto parada com o pé enquanto anda na sua. Também é perigoso: dois veículos de duas rodas em movimento, com contato lateral, pioram a estabilidade dos dois. Não faça.
Comparação: corda, carretinha e guincho de moto
| Critério | Corda ou corrente | Carretinha para moto | Guincho de moto (plataforma) |
|---|---|---|---|
| Segurança | Muito baixa: piloto sem controle e moto sem proteção | Boa, com moto presa por cintas e travada | Boa, com fixação profissional |
| Legalidade | Infração média fora de emergência (art. 236 do CTB) | Exige registro e equipamentos exigidos para reboque | Serviço regular de transporte |
| Custo | Quase nenhum, mas o risco é alto | Custo de comprar, alugar ou manter a carretinha | Pago por trajeto, varia por cidade e distância |
| Moto que não anda | Não resolve | Resolve, se houver rampa e cintas | Resolve, é o uso principal |
| Trajeto longo | Não recomendado | Possível, com carro e engate adequados | Indicado |
| Risco para a moto | Queda, arranhão, dano de roda | Baixo, se for bem presa | Baixo, com equipe treinada |
A comparação mostra algo simples: o que parece barato com a corda sai caro se a moto cair ou se houver multa, acidente ou apreensão.
Como carregar a moto com segurança, se você tem carretinha ou suporte
Se você já tem uma carretinha apropriada, a regra geral é a mesma de qualquer transporte de carga:
- leve a moto até a rampa com ajuda de alguém, com o motor desligado e a moto empurrada, nunca acelerando sobre ela;
- posicione a roda dianteira no canal ou calço frontal, que trava o pneu;
- use pelo menos duas cintas de fixação com catraca, prendendo a moto em pontos firmes do quadro ou do guidão, sem apertar partes plásticas e sem usar o espelho como apoio;
- comprima levemente a suspensão com as cintas, para a moto não balançar;
- deixe a moto engatada em marcha e no cavalete lateral recolhido, se o manual indicar;
- verifique as luzes, a placa e o engate da carretinha, e as cintas depois dos primeiros quilômetros.
Para suporte preso ao carro, o fabricante do suporte e o manual do carro determinam peso máximo e instalação. Moto grande e pesada pode ultrapassar o limite do engate. Em caso de dúvida, não improvise.
Quando o guincho de moto é a saída
O guincho de moto é indicado quando:
- a moto não liga nem no tranco e o trajeto até a oficina é longo;
- o pneu está furado, a corrente quebrou ou há dano que impede de rodar;
- a moto é grande, pesada ou esportiva, com risco de dano de carenagem;
- você está em local de trânsito intenso, sem carretinha nem suporte;
- ocorreu queda ou acidente e a moto não deve rodar.
Na plataforma, a moto vai travada com cintas, sem rodar, sem tração do carro e sem exigir equilíbrio de ninguém. Na hora de chamar, informe o modelo, o peso aproximado, o problema e se a moto tem estrutura que dificulta a fixação, como carenagem baixa ou rodas largas.
Moto que não liga nem no tranco
Antes de pensar em reboque, vale entender por que a moto não pega. O tranco funciona em moto com carburador, e não em toda moto com injeção eletrônica, que precisa de bateria com carga mínima para bomba, injetores e ignição.
Possíveis causas que você pode observar sem abrir peça interna: falta de combustível, chave de partida ou botão de emergência na posição errada, bateria fraca (luzes do painel apagadas ou muito fracas), vela úmida de combustível depois de várias tentativas e cavalete lateral abaixado, que desliga o motor em muitas motos.
Insistir demais no tranco ou no botão de partida pode descarregar a bateria e danificar o motor de partida. Se depois de verificar o básico a moto continua sem pegar, a oficina ou o guincho de moto são o caminho.
Cuidados com a moto durante o transporte
Seja na carretinha, seja na plataforma do guincho, alguns cuidados valem para qualquer moto. Desligue a chave e feche o registro de combustível, se a moto tiver. Não aperte as cintas em peças plásticas, em escapamento ou em espelhos. Em moto com suspensão macia, a compressão deve ser leve, apenas para evitar que a moto balance. Se a moto caiu antes, avise o transportador sobre vazamentos de óleo ou combustível, para ele não deitar a moto e agravar o dano.
O que fazer enquanto espera o transporte
Se a moto parou na rua, saia da pista e estacione em local seguro. Ligue o pisca-alerta da moto, se funcionar. Vista colete, se tiver, e fique longe do tráfego, atrás de proteção, em rodovia. Anote a localização e peça o guincho. Pergunte se a equipe leva cintas e rampa para o seu modelo e se o serviço inclui o transporte até a oficina de sua escolha.
Para o próximo imprevisto, vale se perguntar: se a moto parar longe de casa, quem eu chamo e com que equipamento? Ter o telefone de um guincho de moto salvo é mais barato do que repor uma carenagem quebrada.